terça-feira, 12 de julho de 2011

Liberdade


Olhava com um prazer infindável as labaredas rubras exalando o cheiro acre de cera queimando. Não o perdoaria nunca por ter te roubado a vida exatamente quando mais a prezara, agora estava pagando com a dele. Um trio de lodo fétido desceu por cada órbita até manchar o pescoço pálido. Não podia evitar sofrer, o amava, apesar de tudo. Contraditoriamente, também o odiava com todas as suas forças.
Levantou trôpega e começou a valsar pelo ambiente, como naquele dia fatídico, onde o sonho se transformou em pesadelo. Era sua festa tão sonhada, estava debutando, e Augustus era seu príncipe encantado. Estavam felizes, havia vozes e risos alegres, a música suave ao fundo, farfalhar de saias rodadas de todos os tecidos e cores, não conseguia parar de sorrir, o tempo não parecia passar. Mas no fim todos se foram e por um breve momento ficara só, breve o suficiente para perder a alma por toda a eternidade.
Ainda que se passassem cem anos, lembraria daquele dia como se fosse agora, a respiração gélida e arrepiante na nuca, as mãos suaves pressionando sua testa e imobilizando seu corpo, a dor aguda na jugular, e o rio da vida a correr manchando seu vestido branco como a neve.
Quanto mais lembrava, mais doía, mais chorava e valsava.
Parou diante da fogueira e caiu de joelhos, os gritos de apelo entre as chamas ecoavam em sua cabeça apesar do silêncio reinante.
Estava livre. Mas livre de quê se continuava presa aquele destino fatídico? Se não havia mais vida, mais sonhos, mais Augustus? 
Levantou decidida, tirou as sandálias e de braços abertos abraçou as chamas.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Sorteio do livro Nêmesis, o Retorno de Astarot no blog Amor Imortal


Promoção: O blog Amor Imortal em parceria com a Editora Dracaena está sorteando um exemplar do livro Nêmesis, o Retorno de Astarot do autor Diogo de Souza, uma promo muito legal e para quem quiser participar é só visitar o blog através desse link: http://amorimortall.blogspot.com/2011/06/promocao-sorteio-de-um-exemplar-do.html  e para saber quais são as regras para concorrer também. 
Já vou adiantando que é super fácil, não deixem de participar.


domingo, 12 de junho de 2011

Selinho parabéns ao amor imortal



Faz alguns dias que ganhei esse selo lindo do blog Amor Imortal mas só agora tive tempo de postar meu agradecimento, tenho estado com o tempo corrido, mas não podia deixar de agradecer esse presentinho. Aliás, ganhei vários selinhos lindos ultimamente e fiquei super feliz. Obrigada a todos.
Prometo dar mais atenção a todos nas férias, desculpe Giza por ter demorado tanto com esse agradecimento, mas não foi por falta de vontade e sim por falta de tempo disponível.

REGRINHAS:

1) DIZER O QUE ACHA DO BLOG AMOR IMORTAL E  DIZER O QUE SIGNIFICA PARA VOCÊ UM AMOR IMORTAL.
Simplesmente fantástico. De encher os olhos e dar vontade de visitar sempre para ver tudo de novo que surge a todo momento. Visualmente e informativamente claro.
E um amor imortal para mim é não só a possibilidade de viver eternamente um sentimento, mas também a chance de não sofrer com as perdas inevitáveis que a vida nos trás. Ter sempre por perto quem amamos.
2) LINKAR QUEM TE INDICOU O SELINHO
3) INDICAR PARA 5 BLOGS
Infelizmente pulo essa parte pelo mesmo motivo que já citei tantas outras vezes, não teria a quem indicar.
E para finalizar, parabéns ao Amor Imortal, sucesso mais que merecido.

sábado, 4 de junho de 2011




Recebi semana passada esses dois selinhos da Blogueira Beronique do Blog Brisa Noturna, mas só agora tive a oportunidade de agradecer.
Tive a oportunidade de conhecer Beronique através do desafio literário do qual participo junto com o Brisa Noturna e A Fantasista. Partilhamos também uma antologia (Beijos e Sangue) junto com vários outros autores de muito talento (o que de longe me deixou muito feliz e orgulhosa). 
Beronique é uma autora de muito talento e de escrita ecléctica, envereda por todos os estilos da literatura com perfeição. Sempre vale a pena conferir seu cantinho.
Obrigada por esses selinhos e por todo carinho com que sempre comenta meus textos.



domingo, 29 de maio de 2011

Selo Seu blog é encantador!


Ganhei esse selinho do blog Alone in the dark, o que me deixou muito feliz.
Sei que muita gente considera o fato de ganhar selinho uma daquelas correntes hiper chatas que rolam por ai (O que pra mim nem se compara, mas, cada qual com sua opinião), mas eu particularmente adoro. Acredito que essa é uma forma de carinho que diz mais que mil palavras, e receber carinho é sempre bom...
Obrigada Giza pela lembrança.
Agora a parte de praxe:


Regras para quem recebe o meme:
1- Para você, o que faz seu blog ser encantador?
Para mim, o fato de as pessoas visitarem, comentarem, o carinho que recebo dos amigos  bloggers e o desafio literário que deu um ar eclético (se é que poderei falar assim, rsrsrs.) a esse modesto espaço.
2- Link o blog que te enviou o meme e diga o que acha dele.
http://aloneinthedark30.blogspot.com/, esse é o link para quem quiser conhecer.
Deliciosamente arrepiante, informativo, gostoso de acompanhar a cada evolução, a cada novo post, brilhante. Se duvidarem, confiram. (vale a pena)
3- Repasse este meme para todos os blogs que você considera encantador.


A fantasista
Brisa Noturna


Infelismente minha lista é muito pequena, :(
Mas fica a boa intenção.

domingo, 22 de maio de 2011

Fim de tarde...

                                                               



Você lembra, lembra!
Daquele tempo
Eu tinha estrelas nos olhos
Um jeito de herói
Era mais forte e veloz
Que qualquer mocinho
De cowboy...
(Roupa Nova)

Sentou-se no banco da orla como fazia todas as tardes, sentindo o vento sacudir suas roupas e inspirou o ar calmamente. As ondas batiam nas pedras e se desfaziam em espumas brancas, o sol rubro descia no horizonte rumo ao desconhecido.
Apesar de a vista embaçada divisar apenas sombras confusas, gostava de assistir aquele espetáculo que após tantos anos ainda achava ser um milagre. De todas as coisas que presenciara na vida, a natureza era a única que ainda lhe reservava maravilhosas surpresas. Lembrava-se com perfeição de sua vida de menino, de como gostava de subir em árvores, nadar pelado no rio, correr entre as árvores do sitio, galopar pelo pasto no Pintado, ordenhar a vaca Cabrita... Foi ele que a batizara com esse nome, só por que quando ela era bezerrinha vivia saltitando no pasto feliz da vida. 
Sentia muitas saudades daquela época, mas sentia ainda mais saudades do Herói, seu cão perdigueiro, foi o melhor amigo que podia ter existido no mundo; fiel, companheiro, cúmplice, divertido e muito faceiro. Tudo que fazia, ele topava sem reclamar, corria atrás do Pintado pelo pasto, tomavam banho de rio, caçavam na mata e pescavam na bica.
Lembrava com freqüência do dia em que ele chegou à casa grande pequenino e resmunguento, foi simpatia a primeira vista, pegou-o no braço e acariciou, recebeu uma lambida de cumprimento. Herói tinha um cheiro bom, cheiro de cachorro, mas era bom, adorava ficar sentindo o cheiro dele enquanto dormia nos seus braços. Uma vez, ele até colocou um gato do mato pra correr só por que percebeu o perigo que o animal lhe representava, e isso fez com que o admirasse ainda mais, eita bicho corajoso sô! Sorriu só de lembrar.
Herói viveu quatorze anos, mas por ele estaria vivo até hoje, quem sabe assim sua vida teria mais sentido, não sentiria tanta solidão apesar da família enorme que havia construído. Um dia sua casa foi barulhenta, agora o silêncio era seu companheiro; sua vida fora corrida e seu tempo curto, mas agora sobravam horas no fim do dia; antes tinha sempre um ombro amigo para ofertar, uma palavra de conforto para doar, agora sua boca mal articulava um bom dia, as pessoas não tinham mais paciência para lhe escutar. 
Mas nem tudo era amargura no fim, havia lembranças para confortar um corpo calejado, enrugado, e estranhamente cansado. Havia também sua esposa Edite companheira e cúmplice como Herói. E havia também a pequena Julia, esperta e sagaz, com seus poucos anos de vida, lhe ensinava valorosas lições de amor, sua razão de continuar seguindo em frente até que a escuridão da noite trouxesse seu merecido descanso.
Mas enquanto o descanso não vinha, continuaria sorrindo como um bobo com as lembranças que lhe acompanhavam dia após dia, sentindo prazer em vislumbrar daquele banco marrom na orla da praia o espetáculo do entardecer

domingo, 15 de maio de 2011

Resenha Quase Inocentes

Quando o assunto é criança, o que nos vem imediatamente à cabeça é a doçura, ingenuidade, pureza e muitas coisas agradáveis. Mas ao lermos Extraneus vol. 2 - Quase Inocentes, nos convencemos que nem sempre essas características condizem com a realidade.
De início nos deparamos com uma adorável garotinha e seu inseparável ursinho de pelúcia a quem carinhosamente batizou de Dentinho. Aliás, “Dentinho” é o titulo do primeiro desses 15 surpreendentes contos que preenchem magistralmente essa deliciosa antologia de contos de terror.
Depois de “Dentinho” de Georgette Silen enveredamos pelo mundo soturno de Giulia Moon com uma espertíssima “Criança Noturna”.
Definitivamente essa garotinha me fez lembrar uma outra também fascinante vampirinha, Claudia do  livro Entrevista com o Vampiro. Mas, claro, Claudia era loura como um anjo de olhos vítreos ao contrário dessa japonesinha de olhos puxados que faria qualquer um querer levá-la para casa.
M. D. Amado nos trás “Corações Negros”, um conto instigante, protagonizado por uma enfermeira carinhosa que trabalha em uma maternidade, e suas três adoráveis crianças, possíveis herdeiras de seu fatídico legado.
“Vestido Cor-de-Rosa”, de Camila Fernandes, me lembrou Clarisse Lispector com seu tom realista. Infelizmente histórias como a da menina Joelma acontecem todos os dias no mundo, mas nem todas elas possuem a coragem que essa menina tem no final.
“A Revelação Kyngá”, de André Bozeto jr. Nos remete ao mundo lupino e nos faz refletir. Afinal o que um pai e uma mãe não são capazes de fazer pelo amor a um filho?
“Guardian Angel”, de Luciana Fátima, nos trás uma mistura de sentimentos contraditórios. Sentimentos que ora nos fazem querer mudar o destino desse anjinho, outra nos fazem aceitar o destino dele.
“O Presente de Berenice”, de Adriano Siqueira trata-se de um conto consideravelmente curto e de fácil leitura. Narra uma aventura agradável, com um final não só surpreendente, mas também divertido.
“Loucos, Ocos, Passos de Sopros” de Lucas Rezc, nos trás um misto de tudo; aventuras, piratas, suspense, misticismo e magia dando um toque especial a esse conto de terror.
“O Grande Estopim para a Vida Criminosa de Alice Carmesim” de Luíza Viana.
O titulo nos faz lembrar os romances policiais de Agatha Christie. E o conto não deixa por menos, é convincente e envolvente.
“Brincadeira de Criança” de Juliano Sasseron nos mostra a difícil e às vezes até traumática passagem da infância para adolescência. Essa complicada fase onde sentimentos contraditórios digladiam-se por um espaço dentro da gente. Onde não se é mais criança, mas também ainda não se é adulto.
“Os Servos de Thoth” de Ana Lúcia Merege nos faz viajar para um mundo fascinante, onde existem reis déspotas, sacrifícios e oferendas, injustiças e desigualdades. Onde um pequeno escravo mostra sua coragem e fé no seu Deus, mostrando-se capaz de um grandioso feito para cumprir sua missão. Este conto que se passa no Egito Antigo, reúne ingredientes suficientes para nos proporcionar uma agradável e fascinante leitura.
“O Poço das Harpias” por Celly Monteiro.
Um conto surpreendente, quase palpável, minuciosamente relatado nos fazendo perceber que para a personagem, apesar do tempo transcorrido, tudo ainda a machuca como se tivesse sido ontem.
Amor, traição, compaixão, ódio e vingança se juntam perfeitamente nesse horripilante conto de terror deixando um gostinho de prazer no final.
“Reversões” de André Carreiro Fumega traz as aventuras nada saudáveis de três diabinhos que tem como passatempo praticar vis crueldades.
Quem nunca conheceu uma criança perversa que sente prazer em torturar animais indefesos?
Eu conheci várias. Aliás, acho que fui vizinha do Léo, do Rafa e do Edu quando era pequena.
“Duas Crianças e Duas Chaves” de Felipe Pierantoni narra como o ódio e a rivalidade entre duas localidades pode influenciar gerações após gerações. Mostra também como a guerra não trás nada de benéfico, principalmente para as crianças.
Finalmente o 15º conto. “Caindo no Despertar” de Suzy M. Hekamiah que vem fechar de forma brilhante essa antologia.
Um conto envolvente que consegue nos prender até seu desfecho final.
Oliver que no início se mostra confuso, perdido, como uma peça que não se encaixa no quebra cabeça, vai sutilmente mostrando a que veio, tomando finalmente o lugar que lhe é de direito no mundo.
Bom, termino por aqui minha resenha da mesma forma que acabei de ler o livro, com um desejo enorme de ter muito mais. Nem acreditei quando cheguei ao fim. Definitivamente virei fã desses 15 autores sensacionais. Parabéns a todos! O tema é ótimo e a idéia merece ser repetida. Esse eu recomendo!

domingo, 8 de maio de 2011

Encontro marcado




Eram quase sete e meia da noite e ela ainda estava no escritório presa com um relatório urgente, mas sua cabeça estava em outro lugar, mais precisamente em sua casa ou em quem a estava esperando lá. Tinha um encontro importantíssimo e iria chegar atrasada pra variar. Precisava se concentrar no trabalho para terminar logo e não perder mais tempo, senão só chegaria em casa nove e meia, isso se o trânsito fosse condescendente com ela.
Olhou novamente para o relógio ao lado do monitor do computador, sete minutos para as sete e meia, só mais uma revisão e estaria pronto, sairia a tempo.
Finalizou o trabalho, imprimiu e entregou ao chefe, que o aprovou e a dispensou, podia ir embora finalmente.
Ele sempre ressaltava sua competência e disponibilidade, uma funcionária exemplar, digna de toda confiança. Havia conseguido chegar onde muitos desejavam estar, mas por puro mérito seu, amava o que fazia, era uma mulher realizada, mas infelizmente só na vida profissional, por que na pessoal, tinha muito que lamentar.
Pegou a bolsa e a chave do carro e correu para o elevador: “Será que ele ainda a estaria esperando, ou havia desistido”?
Abriu a porta e entrou, apertou o T e desceu, pegou o carro na garagem e partiu para a estrada movimentada. Parecia que todo mundo tinha pressa de chegar, ou seja, não chegariam tão cedo a lugar algum. O trânsito lento, o barulho, as buzinas irritantes se juntaram a frustração de ver a hora se esvair sem avanços fazendo seu humor minar pouco a pouco.
Parou o carro no estacionamento do prédio as dez em ponto, meia hora depois do esperado e subiu no elevador derrotada. Tinha certeza que ele não aguentara esperar tanto, estava mais que atrasada. Perdera as contas de quantas vezes furara com ele, quantas vezes o fizera esperar em vão.
Seguiu pelo corredor procurando as chaves de casa em meio ao buraco negro que era sua bolsa, quando achou, já estava em frente à porta. Abriu e entrou esperançosa, mas só encontrou o vazio, o silêncio de sua sala escura e triste. Ele já dormira, ela furara mais uma vez.
Jogou as chaves na mesa de centro e foi até seu quarto também vazio, largou a bolsa em cima da cama e foi até o banheiro lavar as mãos e o rosto. Depois foi até o quarto ao lado dar pelo menos um beijo de boa noite, sentir seu perfume doce e contemplar sua face rosada.
Entrou de fininho e acendeu a luminária clareando o quarto com a luz azulada e agradável. Lá estava ele, dormindo em seu berçinho quente e confortável, a expressão tranqüila, as pálpebras serradas, as bochechas rosadas...
Passava o dia todo com aquela imagem tão perfeita na cabeça, recordando sem cessar todos os detalhes, com o coração apertado por estarem longe um do outro. Seu filho crescia longe de seus olhos e de suas asas, mas não podia reclamar, fora por escolha própria. Escolhera ser mãe, mesmo sabendo que não poderia abrir mão da vida profissional por isso. Pois, ser mãe era muito mais que amar e cuidar, era educar, alimentar, vestir e se doar... Se doar sim, por que era por ele que ela sofria dia após dia atrás de uma mesa de escritório, tendo que se superar dia após dia pra ser boa no que fazia, era por ele e para ele que se dividia em tantas sendo uma só.
Sabia que ele não compreenderia, e não iria compreender até que fosse adulto, mas não fazia diferença, não se arrependeria nunca por ter escolhido ser dele, mesmo sabendo que havia tanta coisa em jogo. A única coisa que lhe cabia nesse papel que escolhera, era amar de longe, sofrer de longe e esperar uma recompensa que nunca chegava.
Pegou na mãozinha rosada e aquecida, beijou a palma e sentiu o cheirinho de sua pele.
Ele fechou a mão em volta do dedo polegar da mãe e apertou, depois relaxou e soltou lentamente. Só queria senti-la, mesmo não tendo conseguido esperar acordado, sabia que ela estava ali agora. E essa era sua forma de dizer isso.
Sara se deixou ficar por algum tempo e depois foi tomar banho. Pensou em muita coisa ao lado dele, mas no fundo sabia que não podia se culpar pra sempre, ela não era a única mãe no mundo a passar por isso.