domingo, 8 de janeiro de 2012

Sozinha


Hellen sentou na cadeira próxima a janela e começou a folhear um livro que sequer conferira o titulo, sabia que não o leria, talvez nunca mais o fizesse. Ler agora não fazia mais sentido sem sua irmã por perto. Com quem discutiria sobre o quão bom era, ou sobre as falhas deixadas pelo autor? Rosana a deixara sem se importar em como ela ficaria sem sua companhia. A deixara entregue aos leões, com uma dúzia de sentimentos negativos inundando seu ser e não a perdoaria nunca por isso. Agora só sentia ódio e uma vontade louca de ver a dor estampada no rosto dos outros, era injusto que só ela sofresse enquanto o mundo ria indiferente ao seu sofrimento.
E o que mais doía, eram as lembranças. Uma música cantada em dueto arrancando risos por causa do inglês imperfeito ou da voz desafinada, uma cena duramente criticada e analisada, os passeios por ruas desconhecidas com a desculpa de um compromisso urgente só para fugir de casa por alguns minutos, os sonhos impossíveis sussurrados durante a madrugada...
Acima de tudo a certeza de nunca estar sozinha apesar de tudo. Viveriam para sempre juntas, mas Rosana se fora e agora teria de seguir em frente. Sempre em frente...

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Mundo de Tinta


A primeira vista o desconhecido
Tudo tão novo e sem sentido...
Como um cavaleiro errante
Vagando sem destino
Colecionando lembranças.
Mas o mundo lhe sorri
Tudo soa convidativo
Não precisa mais fugir,
Faz desse pedaço sua casa
E se por um instante
Ou por tantos outros
A emoção lhe invade
Não tema, faz parte.
Afinal quem disse que era fácil?
Esse não era o primeiro
Certamente não será o último
Colhe então os frutos doces
Sem temer a flor amarga.
E no fim dessa longa marcha
Quando tudo ficar gravado na memória,
E a saudade no coração fizer morada.
Abre de novo aquele mundo
E viva outra vez essa jornada.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Domingo de chuva



Domingo
18 de setembro de 2011
13 h e 37 m
Hoje pela manhã fui à feira com minha sobrinha desprevenida e no meio do caminho caiu uma chuvarada, então corremos para nos proteger debaixo de um toldo de uma loja. Enquanto contávamos os minutos impacientes para a chuva diminuir, surgiu uma cadela vira-lata com a pata traseira esquerda quebrada, provavelmente por atropelamento ou talvez por espancamento/ vandalismo, procurando abrigo.
Ela tinha uma aparência deprimente, o pêlo molhado era maltratado, andava com dificuldade e o pior de tudo, tinha um olhar revelador.
Ao encará-la, pude ver muita dor, indecisão, medo e acima de tudo desconfiança. Senti muita vergonha por estar ali embaixo do toldo enxuta e segura enquanto ela estava só e em busca de abrigo, chamei-a para ficar conosco e ao invés de atraí-la, a afastei. Ela se foi com muita dificuldade e pingando com o excesso de água acumulada nos pêlos. Meu remorso só aumentou ao vê-la partir, se não estivéssemos ali, ela iria estar protegida, senti também indignação por ela não ter confiado em mim e pressentido que eu só queria ajudá-la. Pouco depois ela voltou envergonhada por sua condição, desejei que ela me ignorasse e viesse para junto, ela pareceu hesitante, depois veio em nossa direção, parou e me encarou, fingi que não a via para que ela achasse que estava chegando sorrateira e sem ser percebida, então minha sobrinha gritou e se agarrou em meu braço com medo, quase colocou tudo a perder, mas ela não fugiu como temi, apenas me encarou culpada como quem pedia desculpas pelo transtorno e chegou mais perto. Pedi a minha sobrinha que ficasse quieta para não amedrontá-la e ficamos esperando. Ela se aproximou mais um pouco meio desconfortável e se sentou ao nosso lado, olhava de soslaio e virava pro outro lado carregando a culpa por todas as desgraças do mundo em seu olhar, dois segundos depois levantou e partiu sem que eu pudesse retê-la. Dessa vez não voltou, ficou poucos metros depois encarando-nos com pesar, eu havia roubado seu lugar e isso me corroeu por dentro, então mesmo com toda a chuva que caia, partimos para outro abrigo e fiquei olhando-a desejando que ela tivesse confiado mais em mim. Ela se foi e eu a perdi de vista, decidi ir embora também sem me importar de ainda estar chovendo, mas a chuva não apagou sua imagem de minha cabeça, ainda agora ela está aqui vívida. Seu olhar me disse tantas coisas, inclusive que sua vida foi uma tortura, já não havia mais confiança em seres de duas pernas. Como confiar em seres que não merecem a confiança de seus próprios semelhantes?
Agora me envergonho por saber que se culpam quando nós é que devemos nos culpar por tudo de ruim que causamos voluntária ou involuntariamente.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Uma página de diário


Estou afastada daqui já faz um tempo, então decidi me forçar a romper esse silêncio e acabar com esse ócio literário postando uma coisa que é muito minha, mas que agora vai ser dividida com quem se interessar e quiser “perder tempo” lendo. Vou postar hoje uma folha antiga do meu diário, são coisas bobas que eu escrevia para matar o tempo e também para que não fossem esquecidas. Escolhi uma bem pessoal. Espero que ninguém se sinta ofendido.

26 de maio de 2006
15:28 hrs

Hoje pela manhã ouvi uma “brincadeira” que me ofendeu, na verdade, essas coisas sempre me ofendem. E me perseguem desde que eu me entendo por gente, aonde quer que eu vá, elas não mudam e a mais comum de todas é: “hei menina, você não conhece praia?” Então irritada solto uma exclamação de protesto qualquer e fico magoada. Sei que é bobo se ofender por tão pouco, mas é que já aconteceu tantas vezes que já me encheu.
Quando eu era bem pequena, tinha uns quatro, cinco anos, ouvia as pessoas se admirarem por eu ser tão transparente, a ponto de ficar azul quando sentia frio. Minha pele ficava pálida deixando visíveis veias roxas nas mãos e nos pés, as unhas e os lábios também ficavam roxos (se bem que ainda fico assim hoje) e isso me rendeu inúmeros apelidos que me levavam a fúria. Posso até enumerar alguns aqui: “lagartixa branca”, “velinha (diminutivo de vela)”, “morta (por causa da translucidez quando sentia frio)”, “leite”, “lagarta de coco ou bicho de coco (o que tanto faz, dá tudo na mesma)” e “fantasminha”.
Tudo isso me fazia me sentir uma estranha, um ser totalmente anormal, e até achava que era a única no mundo a ser assim. Hoje sei que não sou, graças a Deus, mas naquela época eu era pequena demais para entender isso, e sabe não é? O que a gente aprende em criança, leva para a vida toda, e o que eu trouxe comigo foi essa mágoa.
Nessa mesma época da coleção de apelidos, minha tia adotou uma bebê linda de pele negra, face redonda e olhos vivazes, e eu passei a admirá-la enquanto dormia no berço, sonhando em como seria se minha pele fosse igual a dela, cheia de viço e brilhante. Lembro que passava meio mundo de coisas na minha cabecinha, mas o que ficou foi esse desejo de ter a pele daquela cor e não mais ser motivo de chacotas.
Minha prima cresceu, assim como eu, e veio nos visitar nas férias, então enquanto conversávamos, surgiu entre a gente esse assunto e ela me revelou que sofre preconceito por causa de sua cor, que queria ser igual à mãe e as irmãs e que odiava quando lhe davam apelidos ainda mais pejorativos que os meus. Eu a compreendi tão bem!
Infelizmente o que as pessoas mais sabem fazer é serem cruéis com os próximos, e hoje sei que esse é um assunto delicado demais e requer muita compreensão da nossa parte, pois, se quisermos viver em harmonia, temos que aprender a ceder, isso não quer dizer que devemos alimentar e aceitar o preconceito e sim que não dá pra partir pra porrada toda vez só pra mostrar que eles estão sendo infames.
PS:. Pelo menos uma coisa boa temos hoje: conseguimos acabar com os apelidos. É, eu tenho um nome!

domingo, 18 de setembro de 2011

Pode ser gato...


Pode ser gato,
 mas não pode andar no telhado, 
Olhar a lua em cima do muro
Virar e revirar latões de lixo
É preciso ser precavido.
Nesse mundo urbanizado, 
Não sobraram espaços para ser gato
Sem correr riscos 
Para não ter de  pagar por isso.
Onde andam os gatos,
Dessa cidade sem mato?
Sem árvore e grama verde
Coberta de cinza e de concreto
Onde o natural é ser adestrado
Para não ser gato
E sim, ser apático
Dormindo no tapete
E sonhando em ver através das paredes
Esse mundo que não lhe cabe.

sábado, 27 de agosto de 2011

♥♥♥♥♥


Você vai me colocar dentro do sol é tia?
Uma pergunta sem o menor sentido aparente.
Cientificamente impossivel de ser concretizada.
Mas que diante dos enormes olhos pretos de cilios longuissimos e do sorriso tão radiante quanto um  sol de verão, conseguiu me levar mais além do que uma simples explicação cientifica poderia levar.
Colocar dentro do sol?
Sim, eu quero lhe colocar dentro do sol.
Se o sol significar a luz da felicidade, a cor da alegria, a paisagem de um horizonte hospitaleiro e benevolente.
Sim meu amor, eu quero lhe colocar dentro do sol.
Quero lhe oferecer o melhor que o mundo puder ofertar.  

sábado, 20 de agosto de 2011

Little Child (final)



Lucy in the sky with diamonds
Lucy in the sky with diamonds
Lucy in the sky with diamonds


The  Beatles(Lennon e McCartney)

- Como está se sentindo agora?
Limitou-se apenas em olhá-la sem quebrar o silêncio.
- Tem certeza que não quer conversar? Pode ser bom pra você se abrir um pouco.
- Sobre o que?
- Não sei, sobre sua mãe talvez. Ela tem aparecido com frequência ainda?
- Não! Ela me abandonou. – Respondeu magoado fazendo a amiga perceber que pisara em terreno perigoso de novo. Mas já que havia começado, decidiu seguir em frente.
- Mas ela gostava tanto de você?!
- Eu a decepcionei mais uma vez e ela não vai me perdoar. Não dessa vez.
- Mas pelo que você me dizia, achei que isso seria impossível. Ela te amava tanto.
- Eu fiz por onde. Sou um monstro. – Falou e socou a parede com fúria assustando-a, mas ele precisava de ajuda.
- Não! Você é uma pessoa boa...
- Não sou! – Falou aos gritos e se levantou encarando-a de muito perto com os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar e as veias dilatadas dando-lhe uma aparência de insanidade.
- Eu te conheço e posso garantir que você é bom. Foi bom para o Paulo, foi bom para sua mãe...
- Mas não fui bom com você. Menti para você, lhe atraí para uma armadilha. Justo você que foi a única pessoa que sempre me entendeu, me estendeu a mão e me tratou como uma pessoa de verdade todo esse tempo.
- Do que você está falando? – Não conseguia entender nada, talvez fosse algum delírio insano. – Você é incapaz de prejudicar alguém. Te conheço como a palma da minha mão. Confio em você!
- Mas não devia! Eu não mereci sua confiança! – Começou a andar de um lado para o outro como uma fera enjaulada. – Confiar em mim foi um erro. Minha mãe não vai me perdoar nunca.
Ao vê-lo voltar a chorar, se levantou com a intenção de abraçá-lo e confortá-lo. Mas quando o fez, seus braços abraçaram o vazio.
Sentiu um frio gélido subir por seu corpo eriçando a pele. O que seria esse fenômeno? Estaria ficando louca?
Ao ver sua expressão, ele chorou ainda mais.
- Você também não vai me perdoar não é?
- O que está acontecendo aqui? Só pode ser um pesadelo...
- Eu não queria. Juro que não queria! Achei que estava curado por sua causa. Você era boa e confiava em mim...
Ela olhou em volta buscando um meio de sair correndo dali. Tentou lembrar-se do que realmente havia acontecido naquele apartamento, mas só havia um imenso vazio. Então era isso? Ele havia cometido um suicídio? Ela chegara tarde demais, sua luta fora inglória? Claro, só podia ser isso. E ela tonta achando que poderia ajudá-lo todo esse tempo.
- Como foi que isso aconteceu Leo?
- Você não lembra não é?
E era para lembrar? Então estava presente no momento do suicídio! Então por que não o impedira?
- Eu devo ter esquecido. Você não quer me ajudar a lembrar?
Ele a encarou com uma expressão dolorosa e emudeceu.
Antes que pudesse quebrar o silencio que reinara, o telefone tocou na sala e ela correu para atender na esperança de encontrar ali respostas para suas perguntas. Ele foi atrás para tentar impedir, mas chegou tarde, ela já havia tentado agarrar o aparelho.
Ela recuou apavorada ao tocar o vazio. Como um flash sua memória voltou com todos os detalhes quase visíveis. Lembrou-se de estar distraída olhando o porta-retrato em cima da mesa do telefone quando ele chegou por trás com um cadarço grosso e enlaçou seu pescoço estrangulando-a, apesar da rapidez da execução, ainda pôde divisar seu olhar misto de triunfo e prazer. Ainda ouviu sua voz sussurrar em seu ouvido: Perdoe-me, é mais forte do que eu.
E depois só o vazio e a escuridão.
- Por que você fez isso? Eu só queria te ajudar...
- Esse foi seu erro. Que direito você tinha de confiar em mim? A culpa por tudo isso foi sua. E agora que você já sabe, vá embora de uma vez e me deixe em paz! Deixe-me esquecer de tudo e seguir em frente com minha vida. Quero minha vida de volta...
- Você quer sua vida de volta?! E a minha quem vai devolver? Você me roubou a única coisa que me pertencia de verdade. E agora o que eu faço? Para onde vou, me diz?
- Para qualquer lugar. Aqui é que você não pode ficar. Eu não suportaria sua presença constante me lembrando que fui eu o responsável por sua desgraça.
- Eu não tenho mais nada, nem ninguém. Só me resta você, e eu me recuso a ficar sozinha. Recuso-me a ir embora.
- Mas eu não sei se aguentaria essa tortura.
- Não me mandes embora? Não me condenes a solidão, eu não suportaria.
Deitou no sofá resignado. Era justo que pagasse um preço.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Little Child (parte I)




Little child, little child
little child won't you dance with me
I'm so sad and lonely
Baby take a chance with me
The  Beatles(Lennon e McCartney)


Daniele acordou sentindo um vazio na cabeça, olhou em volta e não reconheceu o lugar que estava. Voltou a deitar esperando a sensação estranha passar quando ouviu um soluço. Decidiu procurar a pessoa que pelo visto precisava de companhia. Talvez o motivo do choro fosse apenas solidão.
O apartamento era minúsculo, não demorou a encontrá-lo prostrado no canto do quarto.
Ao vê-lo, teve certeza que o conhecia, sabia de sua dor, só não lembrava seu nome, algo bloqueara sua mente. Talvez houvesse tomado algum anestésico para dormir e esquecera-se de algumas coisas, o melhor seria esperar o efeito passar. Mas seu amigo estava precisando de ajuda.
Entrou de fininho com medo de assustá-lo como acontecera no dia anterior. Lembrava-se de sua expressão quando a vira, parecia apavorado.
Quando ele notou sua presença dessa vez, começou a chorar ainda mais alto. Mesmo assim se aproximou tentando tocá-lo, fazer um carinho. Queria confortá-lo. Ele a repeliu de forma enérgica.
- Vá embora, já pedi mil vezes que me deixe em paz. Eu quero ficar sozinho.
- Não vou te deixar! – Estava decidida a tentar ajudá-lo dessa vez. – Você precisa de mim!
Sentou-se na cama próxima a ele que se encolheu ainda mais.
- O que você quer de mim?
- Só quero te ajudar.
- E por que você iria querer me ajudar? Não mereço que ninguém me ajude. Só machuco quem eu amo. – Falou com amargura limpando o rosto com as costas da mão.
- Não é verdade, você é bom. Abrigou-me em sua casa e respeita meu espaço.
- Não! Eu não sou bom, eu sou um ser horrível! – Começou a gritar descontrolado deixando-a assustada.
Ela se levantou procurando manter distância enquanto ele socava a parede com violência.
Queria consolá-lo, dizer que tudo ficaria bem, mas não agora; ele a estava apavorando. Saiu do quarto tremendo e se sentou no sofá-cama onde acordara pouco antes e decidiu esperar o ataque de fúria passar.
Enquanto esperava, começou a lembrar de fatos que a ligavam ao amigo problemático. Agora sabia que ele se chamava Leo; que o conhecera pela Internet; se falavam há muito tempo e um sabia tudo sobre o outro.
Lembrava-se que no inicio da amizade havia tomado todas as precauções, não dera sequer seu nome verdadeiro, ele a conhecia por D.A. e ela o conhecia por Lucy. Só depois soubera que dera esse nome porque amava a musica Lucy in the Sky with Diamonds que era uma espécie de hino para ele.
Com o passar do tempo, a reserva foi se desfazendo, foram ficando íntimos. Lucy, ou melhor, Leo foi cativando-a com sua amizade sincera, contou-lhe seus problemas, falou-lhe sobre a mãe que amava a ponto de vê-la mesmo depois de morta, sobre a dor que sentira quando o pai foi embora e falou também de um papagaio que teve e que morreu engasgado. Para ela era uma historia engraçada a do bichinho, mas sabia que ele levava o caso muito a serio. Ora sua segunda maior perda na vida, a primeira fora a mãe. Ainda lembrava-se do carinho com que ele falava do querido Paulo, seu companheiro desde menino.
Enquanto lembrava-se das horas e horas gastas com ele na internet, um sentimento bom a invadia, uma sensação de carinho, de uma afetividade que os ligava ainda mais. Em pensar que temera tanto o primeiro encontro dos dois no passado? A primeira vez que o vira, fizera questão de marcar em um lugar publico e com muito movimento por medo de que ele fosse um maníaco e apesar de já se falarem até por telefone, não se sentia segura o suficiente para confiar cegamente nele. Mas quando o vira, todas as duvidas sumiram; foi como se já se conhecessem a milhões de anos.
Agora se lembrava até de como fora parar ali. Leo lhe telefonara desesperado, estava tendo uma crise de pânico e precisava de sua ajuda. Dizia que queriam matá-lo, que era perseguido por homens de capuz preto. Então não pensou duas vezes e por isso ainda estava lá, o amigo precisava dela.
Sabia que tinha o dever de voltar para casa, mas não agora, ele ainda não estava bem. E os pais não estavam merecendo que se preocupasse com eles. Estava fora há dias e eles nem deram um telefonema para saber como ela estava ou se estava precisando de alguma coisa.
Um tempo depois percebeu que o amigo estava silencioso, levantou e foi verificar se ele havia adormecido. Entrou cautelosa e sentou em silêncio ao lado dele que ainda estava acordado e no mesmo lugar de antes.
Ele era tão sozinho, parecia um menino desamparado. Tinha o dever de ajudá-lo, não o deixaria tão cedo...